Terça-feira, 14 de Julho de 2009
Genial
No bonde da história
RIO DE JANEIRO - "Somos um povo decente governado por ladrões!" Esta manchete foi repetida algumas vezes por um jornal do Rio, no tumultuado ano de 1954, que teve seu clímax em 24 de agosto, dia em que um presidente da República que não era ladrão se matou.Alunas de um curso de comunicação me perguntaram por que a imprensa não impede a onda de corrupção oficial que as assusta, uma delas estava tratando os papéis para ir embora definitivamente, enojada da vida nacional.Como sempre, respondi que era a pessoa menos indicada para responder a qualquer pergunta sobre política e moral, apenas que, na faixa etária em que elas estavam, eu também pensara em dar o fora, mas por outros motivos. Anos mais tarde, peguei meus trapinhos e fui parar em Havana, não aguentando a citada "vida nacional".Mesmo assim, lembrei que a corrupção, aqui e em qualquer lugar, nasceu lá atrás, quando o Criador mandou que todos, homem e mulher inclusiv e, crescessem e se multiplicassem. Esta multiplicação deu no que deu. Arrependido, o Criador não deu uma entrevista exclusiva para a "Veja". Foi bem mais radical e eficiente: abriu as cataratas do céu e inundou a Terra, só salvando um justo e os animais, um de cada espécie.Não adiantou. As filhas de Noé embebedaram o pai e deste incesto nascemos todos. Em tempos mais românticos, quando todos andavam em bondinhos puxados por burros, um cidadão ergueu a voz e começou a citar as bandalheiras da vida nacional da época. Suando de indignação, depois de lembrar casos de nepotismo, fraude eleitoral, compras superfaturadas do governo e rombos no orçamento federal, levantou-se do banco e perguntou a todos: "Afinal, senhores, aonde estamos?" O poeta e historiador Luiz Edmundo, lá atrás, respondeu: "No bonde!"
Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Mancini demitido !

Nada de Luxemburgo.
Muricy !!!

Domingo, 12 de Julho de 2009
Manuel Bandeira, Pasárgada e os hipopótamos...
O tema: sexo entre os animais.
Num dos blocos, com o padrão refinado e a excelência de texto que há nestes canais a cabo que exibem ótimos documentários, eles contaram como é a relação entre os “meigos e dóceis” hipopótamos. Os adjetivos são por minha conta.

Em síntese: na região em que vivem os hipopótamos há muitos machos e poucas fêmeas, o que leva a uma digamos batalha cruel, predatória mesmo, contra a abstinência.
Muitos machos ficam a ver navios. Chegam a pensar em ir embora pra Pasárgada, como recomendava Manuel Bandeira.
“Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar”.

Claro que o documentário em questão não falava de prostituição no reino animal. Mas há um outro trecho de “Vou-me embora pra Pasárgada” que tem lá as suas semelhanças, ainda que discretas, com o sexo dos hipopótamos.
"E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada".
Incrivelmente parecido com o sexo dos hipopótamos. Visionário Manuel Bandeira...
Moral da história: Os machos brigam, de porrada mesmo, com outros machos. Ferem-nos e expulsam-nos das águas, da região, para ficar com a fêmea que era do antecessor.
Para seduzi-la, o processo é ainda mais cruel. O macho que brigou e expulsou o "Fera!" mata o filhote recém nascido daquela fêmea, o Brasilino... E só então, depois de bater no marido, expulsá-lo de "casa" e matar o "júnior", o Brasilino dela, ele fica com a fêmea, seduzida, "xonada"...
Questões estratégicas:
1. fêmea é fêmea e “raciocina” de uma forma bem peculiar até quando é hipopótamo.
2. Quanta violência no reino animal, não ?
3. Devemos admirar os hipopótamos?
4. Vou-me embora pra Pasárgada !!!
Senna, Roberto Carlos...
No domingo pela manhã, o Rubinho, que não é de nada e só come marmelada - como canta a minha filha em tom sempre desafiador -, foi Rubinho mais uma vez. E Galvão Bueno recitava que o domingo poderia ser ("está pintando") de dobradinha brasileira... Realmente foi: Massa, aguerrido, chegou ao pódio. E Rubinho, com o melhor carro da temporada, é agora o quarto no campeonato, atrás de Button e também dos dois pilotos da RBR. O maior inimigo do Rubinho é o próprio Rubinho. E continuo achando que seria uma tremenda heresia que ele fizesse parte de uma galeria onde estão Senna, Piquet, Émerson...
Que saudade do Ayrton Senna.
A TV Cultura podia, no horário das corridas, reproduzir algumas entrevistas de arquivo com um piloto que é e continuará sendo a maior referência que os brasileiros têm e que era, também nas pistas, um pouco daquilo que queremos ser.
Quanto mais o Rubinho corre, acho, mais os brasileiros (e assumo que me incluo 100% nisso) torcem contra ele. Faltam a ele tino, faro, essência, postura, jeito, trejeito, cacoete, mimetismo, semblante de campeão.
É emocionante rever Senna, ainda que seja numa entrevista no início de uma carreira...
Seguem trechos da entrevista de Senna ao Roda Viva:
http://www.youtube.com/watch?v=EGcO6lXb2Zo
http://www.youtube.com/watch?v=ayMRlDCemYY (neste link, há uma pergunta feita por Rubens Barrichello, menino à época, para Senna. À época, como hoje, ele, Rubinho já era inofensivo, um espírito evoluído incapaz de fazer mal sequer a uma mosca. Interessante também o trecho em que Senna fala de um acidente de kart na Itália).
Por falar em ídolos, e acho que o assunto rende algumas dissertações, achei bem legal o frenesi que foi o show de 50 anos da carreira do "Rei" Roberto Carlos no Maracanã. Chamam-no de brega, de romântico, de piegas, de melífluo, mas ele não é ídolo por acaso. Dono de um carisma e de uma sensibilidade incomuns, o Rei enlouqueceu um Maracanã em êxtase. E ao abraçar o "amigo de fé, irmão camarada, amigo de tantos caminhos e de tantas jornadas", Roberto Carlos foi às lágrimas.
Senna era um Roberto Carlos das pistas.
Roberto Carlos é um Senna dos palcos.
Rubinho, claro, o Tiririca.
Sábado, 11 de Julho de 2009
Chamadas...
É a chamada do MSN Brasil, deste sábado à noite. O Palmeiras acabou de vencer o Náutico por 4x1, pela décima rodada do Campeonato Brasileiro.
A falta de cuidado na edição é tão acentuada que na foto e no destaque aparecem a vitória do Palmeiras sobre o Náutico por 4x1. Curiosamente, como sub-destaque está a vitória do Palmeiras sobre o “Fogão” no Palestra Itália. O Palmeiras venceu o Náutico, enquanto o Botafogo, rigorosamente no mesmo horário, derrotava o Avaí, em Florianópolis por 2x1. Não importa se foi desatenção. Há dois erros: o primeiro é repetir duas vezes o mesmo destaque. Em tese, "a capa" de um site não tolera duas manchetes em pontos distintos para o mesmo assunto. O segundo está no descompasso entre o destaque e o sub-destaque, já que a informação de um deles, no caso a do sub-destaque - o Palmeiras não enfrentou o Botafogo -, está errada.
Outros “destaques”: “sucessos” de Rick Martin (eles existem?), celebridades cibernéticas (elas existem?) e o trocadilho infame “preserve o planeta com dicas ‘plásticas’”.
Logo depois do jogo, por curiosidade, li a cobertura do G1 da vitória do Barueri sobre o Coritiba. E eles citam o Barueri como "o time do ABC Paulista". Barueri faz parte da Grande São Paulo, mas não fica no ABC, do mesmo modo que a capital do Brasil não é, como pensam 90%dos norte-americanos, o Rio de Janeiro ou Buenos Aires.

Felicidade...


