domingo, 8 de novembro de 2009

Com a comodidade de quem é um reles figurante, torcedor do Santos, acompanhei mais uma eletrizante rodada do Campeonato Brasileiro, também em alta voltagem nesta fórmula fantástica de pontos corridos. Não houve, até agora, uma só edição que fosse tão interessante. O campeonato está abertíssimo...

Algumas observações:

1. O São Paulo não foi prejudicado e também não foi ajudado pela arbitragem no empate heroico diante do Grêmio, no Olímpico. Convém salientar que o Tricolor teve três jogadores bem expulsos pelo árbitro e, ainda assim, segurou a grande decepção do torneio até agora;

2. Foi também heroica a virada do Cruzeiro sobre o Sport, depois de estar perdendo por 2x0, ontem. O time de Adilson Batista está no páreo e fez contra o Sport exatamente aquilo que sofrera diante do Fluminense;

3. Não perco tempo com jogos do Santos. E acho que o atacante Kléber Pereira merece ser vaiado do primeiro ao último minuto, sem parar, obsessivamente, sistematicamente. Mesmo quando ele faz um gol - o time todo joga para ele, que abusa do direito de perder gols - as vaias são merecidas. Ontem, por exemplo, o primeiro gol do Santos, de pênalti, foi dele. E ele foi bastante e exemplarmente vaiado, como deve ser, assim que converteu o pênalti;

4. Não vi nada sobre a vitória do Avaí sobre o Vitória, mas não dá para esperar regularidade de um time treinado por Vágner Mancini. Sobre o Avaí, acho que Silas merece a chance num time grande o quanto antes. Que campanha linda!;

5. O Fluminense tem conseguido honrar a camisa nestes momentos de extrema unção que acompanham o time na primeira divisão. Continua sendo quase impossível a permanência do Tricolor das Laranjeiras na divisão de elite do Campeonato Brasileiro. Hoje, o Flu venceu merecidamente. Na bola, o time de Cuca - quem diria - sobrou, mas a arbitragem operou o Palmeiras, ao anular criminosamente um gol de Obina. Uma vergonha a arbitragem caseira, mais uma, de Carlos Eugênio Simon. Mas o Palmeiras precisa voltar a jogar bola e já não depende mais apenas das próprias forças;

6. Olho vivo no Flamengo. Sob pressão, Celso Roth espana. E sempre espanou... Celso Roth, sob pressão, é Rubinho. Afina, entreega, espana, amarela... E não deu outra: méritos para o time mais popular do País que calou o Mineirão e deixou o Galo bem mais distante do título, apesar dos três pontos de distância para o líder, agora o São Paulo. O próximo jogo do Atlético-MG será contra o Coritiba, que corre sérios riscos, na capital paranaense. Que jogo;

7. O Inter é outra vergonha. Um time idiota sobre o qual se deposita esperança não correspondida;

8. E o Corinthians tem um predestinado: Ronaldo. A rodada, apesar da vitória, não foi tão boa assim para o Fluminense. Santo André, Náutico e Sport, que já estavam na zona de rebaixamento, perderam. Mas Atlético-PR e Botafogo venceram. Agora, depois de nove pontos seguidos, o Flu é o primeiro dos que seriam rebaixados, mas continua 5 pontos atrás do primeiro fora da zona de rebaixamento, justamente o Botafogo. Pobres Sport, Náutico e os pernambucanos. Geninho é atestado de óbito. Eles deviam ter pensado nisso.

Mitos...

Entrevista de Bruno Senna à Veja.

Pergunta: Seu tio Ayrton Senna é o seu grande ídolo?

Bruno Senna: "Vai parecer clichê, mas eu não tenho ídolos. O Ayrton é apenas uma referência. Idealizar alguém é uma péssima forma de iniciar uma carreira. Ao idealizar, você quer ser igual a essa outra pessoa. Meu objetivo não é esse."

Título da entrevista de Bruno Senna à Veja: "Ayrton não é meu ídolo"

Péssimo !

O entrevistado não disse literalmente que Ayrton não é o seu ídolo; essa é uma conclusão interpretativa com base na resposta acima reproduzida. Com base nessa afirmação, quem editou a matéria criou esse título, que não é fiel àquilo que foi dito pela fonte, embora isso seja subjetivo.
A propósito, ainda sobre Bruno Senna: "O Ayrton é apenas uma referência". Apenas???? Será que ele tem um poster do Rubinho, esse heroi-fantoche-marionete, no quarto dele? É preciso saber em quem esse cara, que só não é anônimo pelo maiúsculo sobrenome que carrega, se inspira. Se achar que Ayrton é APENAS uma referência, ele, sobrinho de um mito, de um fora-de-série, estará começando mal, muito mal.

O Ayrton não é apenas a referência. Ele é a MAIOR, a MELHOR referência, a tradução do Brasil vencedor-combativo-aguerrido que todo brasileiro amava ver todos os domingos. A morte do Ayrton deixou um espaço realmente não preenchido. Depois de Ayrton, as maiores alegrias do brasileiro vieram com Guga, no tênis, com o vôlei, masculino, feminino e de praia e, agora, mais recentemente, com César Cielo.

Se a gente observar bem, nenhum destes tem elementos rubinianos para vencer. Aliás, Rubinho e vitória constitui-se numa antítese. E 90% dos brasileiros já entenderam isso. Os 10% que ainda não compreenderam trabalham na Globo ou para a Globo.

Claro que o Rubinho é um bom pai, ótimo cara, excelente marido. Claro que é um milionário. E, cá entre nós, tudo bem. Ganhou o dinheiro dele honestamente perdendo em pista. Torço para que ele continue sendo um grande homem, um excelente marido, um ótimo cara, um bom pai. Torço por tudo isso. Só não quero que ele seja campeão. Não dá para conceber uma foto dele ao lado da do Ayrton na galeria dos campeões brasileiros da Fórmula 1.

Esse babaca do Bruno Senna começa mal, bem mal. Ganhe primeiro, cresça, deixe as fraldas pra depois você falar do seu tio, imbecil.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Adeus, Lênin !


Começou hoje, naquele que considero o melhor telejornal da televisão aberta, o Jornal da Globo, uma série de quatro reportagens sobre a queda do Muro de Berlim.

As quatro foram feitas por William Waack numa ida à Europa para mostrar o que mudou nestes 20 anos de fim da Guerra Fria.

A reportagem de abertura, extramamente bem editada e com o padrão de excelência textual que acompanha esse profissional diferenciadíssimo, mostrou o contexto histórico, outro ponto que distingue o Jornal da Globo dos demais. Qual é o telejornal que se presta a angular no presente um contexto histórico passado de tamanha relevância ?

A série continua na quinta, na sexta e será encerrada na segunda-feira. Pode parecer que os VTs foram mal distribuídos, mas há um motivo: na segunda, 9 de novembro, quando o último VT for ao ar, serão completados 20 anos da queda do Muro de Berlim.

Foi em 9 de novembro de 1989 que um símbolo da disputa entre o Ocidente-Capitalista e o Leste Europeu-Socialista ruiu como o próprio Muro...

Penso nas histórias de vidas que foram interrompidas. Lembro-me de "Adeus, Lênin !", filme primoroso, uma metáfora do Muro...

E gostaria muito de conhecer (em português) um livro-reportagem alemão que estampasse a perspectiva das transformações que aquele tempo provocou pelo relato de personagens, como fez John Hersey com Hiroshima. Será que existe? Alguém conhece uma obra de jornalismo literário alemão com essa prerrogativa?

Quanto vale a história de alguém que tinha 20 anos na época em que o Muro foi erguido e que ficou na Alemanha Oriental, retomando o contato com familiares, amigos e conhecidos 40 anos depois, quando esse mesmo personagem já teria 60 anos?

Uma história fascinante falaria por si, dimensionaria na nossa pele o que foi esse Muro para quem teve de tentar, à espreita, superá-lo...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tim Wu

A Cásper trouxe ao Brasil o professor Tim Wu.

Estou na breve palestra dele, interessantíssima. Ele, há pouco, disse que o rádio, fundado por amadores na década de 20, é algo análogo ao, para nós, hoje, Facebook.

"É possível que a internet perca a sua abertura e ganhe características de ser monopolizada. Será que agora será possível fazer algo diferente?" (Tim Wu, na Cásper)

A fundamentação básica apresentada por Wu foi o ciclo de invenção, abertura e dominação. E corremos o risco de entrar numa era em que a dominação terá a internet como meio.

A Cásper está transmitindo, ao vivo, o seminário. http://www.facasper.com.br/

O segundo palestrante é Demi Getschko, da PUC-SP.

Aqui, uma discussão sobre neutralidade e mercado. "Tal projeto de lei fere a diversidade cultural ou, eventualmente, ele condena a rede quando a rede é ininputável".

Antes de vir para cá, jornal Hoje, com a sempre surpreendente e sorridente Sandra Annenberg. E uma matéria sobre o sutiã ideal para cada estilo de seio, de cara, na escalada.

Se você acha que é piada, exagero, oposição radical, sectária ou o que quer que seja, veja o link e tire as suas próprias conclusões.

Além de tudo, essa "reportagem" foi destaque no Hoje e é destaque no G1. Concordo que é desafiador fazer um jornal na hora do almoço, mas...

((Clique em Tim Wu, título deste post, e veja o sutiã no jornal das Sandrices...))
/./.

Voltando, Carlos Alberto Afonso, o terceiro palestrante, falando sobre a "pseudo-banda larga"no Brasil:
"São 10,7 milhões os usuários de banda larga no Brasil. A penetração da banda larga é de menos de 10%, aqui. Em Paris e Londres, mais de 50%. Com um detalhe: o custo aqui chega a ser cinco, seis vezes maior."
Debatia-se pluralismo. Por módicos três minutos, caiu a energia no prédio todo. E em alguns outros edifícios na Paulista... Tudo restabelecido rapidamente, com eficácia singular. São esses pequenos indícios de um subdesenvolvimento ainda sobejo?
De qualquer forma, é sui generis a visão que alguém que não é brasileiro tem das comunicações no Brasil. O palestrante, inteligentíssimo, super bem informado, talvez não tenha tido acesso a uma informação simples: o ministro das Comunicações é ex-funcionário da Globo. Hoje, ele é concessionário de emissora. E, de quebra, além de ter sido repórter da emissora, etc., etc., etc., ele ajudou - e como ajudou - a definir que o padrão da tv digital no Brasil será o japonês. Por que será, né?

domingo, 1 de novembro de 2009

Sou fã da fórmula de disputa do Campeonato Brasileiro por pontos corridos. Esse sistema premia a regularidade, a melhor campanha e, principalmente, a menor instabilidade.

Se tomarmos por base a estabilidade, o São Paulo está em alta, o Atlético-MG tem crescido na hora certa e o Flamengo vem aí. Cruzeiro e Inter não poderiam sofrer os tropeços caseiros diante de clubes cariocas ameaçadíssimos pelo rebaixamento. Isso os compromete bastante. Goiás e Grêmio são, definitivamente, cartas fora do baralho.

Acho que o meu Santos corre risco de ir para a Série B. É incrível o quanto esse time não convence. E não entendo o Luxemburgo: com Léo por perto, qual o motivo para manter Triguinho no time?

A rodada deste fim de semana foi extasiante.

Flamengo e São Paulo fizeram, no sábado, o que se esperava deles.

No domingo, o grande destaque positivo foi Ronaldo, um predestinado. E o destaque negativo, na minha opinião, fica por conta da arbitragem no clássico entre Palmeiras e Corinthians em Presidente Prudente. O Atlético Mineiro brilhou e o Cruzeiro padeceu do mal de decidir atabalhoadamente no Mineirão.

Marcos, na minha opinião, com muita sobra, o melhor goleiro em atividade no Brasil, foi muito bem expulso.

Poucos minutos depois, Danilo cometeu falta dura em Jorge Henrique, ótimo jogador do Corinthians. Qual é o número da regra que impede que dois jogadores de uma mesma equipe sejam expulsos, ainda no primeiro tempo, se as faltas que ambos cometeram justificam o cartão vermelho?

O jogo seria outro. O Corinthians não teria sido prejudicado, o jogo seria realmente outro, e o São Paulo, possivelmente, teria assumido a liderança.

As reclamações de Mano Menezes são procedentes.

Sobre o Santos, será mesmo que o time não tem um só uniforme amarelo? Detalhe: o segundo pênalti dado para o Santos foi pirotecnicamente inventado. E Paulo Henrique Lima traduziu nas duas cobranças o momento do time.

Deu a lógica...

Mais uma vez, o domingo começou como sempre.

Rubinho, ao saber que o segundo (o vice) é o primeiro dos últimos, afinou.

Mais uma vez, ele ficou a ver navios. Vettel é vice.

É questão de ética, acima de tudo. Rubinho não quer ser nem o primeiro dos últimos. Sendo terceiro no campeonato, ele foi o segundo dos últimos, algo que, historicamente, tem linearidade com ele.



sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Bestial


O Atlético-MG perdia por 2x1 para o time que tem a pior campanha no Campeonato Brasileiro, o Fluminense.

E Celso Roth, inteligentíssmo, resolveu ousar: tirou Diego Tardelli, artilheiro do torneio, e colocou o zagueiro Pedro Benitez. O Galo teve um zagueiro expulso e era importante, fundamental, recompor a defesa e segurar o resultado.

Parabéns.

Ah, esqueci. Legenda da foto: Celso Roth em sua fazenda: "jogamos bem e merecemos perder".